Álgebra Linear Computacional
Roteiro prático estruturado com foco em identificação de padrões, resolução ágil de problemas de prova e fundamentos teóricos.
1. Regras e Axiomas do Produto Interno
Seja $V$ um espaço vetorial real. Um produto interno em $V$ é uma função $\langle , \rangle : V \times V \rightarrow \mathbb{R}$ que satisfaz quatro pilares obrigatórios:
- Simetria (Comutativa): $\langle u, v \rangle = \langle v, u \rangle, \forall u, v \in V$.
- Aditividade: $\langle u + v, w \rangle = \langle u, w \rangle + \langle v, w \rangle$.
- Homogeneidade: $\langle \lambda u, v \rangle = \lambda \langle u, v \rangle$.
- Positividade: $\langle u, u \rangle > 0$ para todo $u \neq 0$. (Sendo zero apenas se $u = 0$).
2. Produto Interno nos Diferentes Espaços
A "Base Canônica" só tem o superpoder de ser ortonormal se o exercício utilizar o produto interno canônico padrão (multiplicar e somar). Se o exercício criar uma regra maluca como $\langle A, B \rangle = \text{tr}(A^T B S)$ com uma matriz $S$ no meio, a base canônica deixa de ser ortonormal para aquela métrica específica!
- Espaço Real ($\mathbb{R}^n$): O clássico (multiplica posições iguais e soma).
- Espaço de Matrizes ($M_{n \times n}(\mathbb{R})$):
$$ \langle A, B \rangle = \text{tr}(B^t \cdot A) = \sum_{i,j} a_{ij}\, b_{ij} $$
O que esse traço faz: o produto $B^t A$ é uma matriz cuja entrada $(i,i)$ da diagonal vale $\sum_k b_{ki} a_{ki}$ — ou seja, o produto interno entre a coluna $i$ de $A$ e a coluna $i$ de $B$. Somar a diagonal (o traço) reune todas essas parcelas, dando $\sum_{i,j} a_{ij} b_{ij}$. Conclusão prática: tr$(B^t A)$ é equivalente a "achatar" as duas matrizes em vetores de $n^2$ entradas e fazer o produto interno euclidiano. Por isso a base canônica $\{E_{ij}\}$ de $M_n(\mathbb{R})$ é ortonormal nesse produto.
Exemplo rápido: $A = \begin{pmatrix}1&2\\3&4\end{pmatrix}$, $B = \begin{pmatrix}0&1\\1&0\end{pmatrix}$. Entrada-por-entrada: $1\cdot 0 + 2\cdot 1 + 3\cdot 1 + 4\cdot 0 = 5$. Verificando via traço: $B^t A = \begin{pmatrix}0&1\\1&0\end{pmatrix}\begin{pmatrix}1&2\\3&4\end{pmatrix} = \begin{pmatrix}3&4\\1&2\end{pmatrix}$, traço $= 3 + 2 = 5$. ✓
Variantes: alguns autores escrevem $\text{tr}(A B^t)$, $\text{tr}(A^t B)$ ou $\text{tr}(AB^t)$ — todas dão o mesmo valor (o traço é invariante por permutação cíclica e $\text{tr}(X) = \text{tr}(X^t)$).
- Espaço de Polinômios ($P_n(\mathbb{R})$) - Via Integral:
$$ \langle p, q \rangle = \int_a^b p(x)q(x) dx $$
- Espaço de Polinômios - Via Pontos Discretos:
$$ \langle p, q \rangle = p(x_1)q(x_1) + p(x_2)q(x_2) + \dots $$
- Espaço de Funções Contínuas ($C([a,b])$):
$$ \langle f, g \rangle = \int_a^b f(x)g(x) dx $$
3. Norma e Distância
- Norma (Comprimento $\|u\|$): $$ \|u\| = \sqrt{\langle u, u \rangle} $$
- Distância $d(u, v)$: $$ d(u, v) = \|u - v\| = \sqrt{\langle u-v, u-v \rangle} $$
Dois vetores $u, v \in V$ são ortogonais se, e somente se:
O módulo do produto interno nunca pode ser maior que a multiplicação das normas dos vetores:
4. Identificação de Subespaços Vetoriais
Use o Teste Infalível do Vetor Nulo. Substitua a origem $(0, 0, \dots)$ nas equações do conjunto. Se a restrição falhar, o conjunto está reprovado imediatamente.
5. Processo de Extração de Bases
Quando o subespaço é dado por uma ou mais equações homogêneas (ou por outra condição que restringe coordenadas), o procedimento abaixo extrai uma base do subespaço.
- Resolva o sistema: isole as variáveis dependentes em função das variáveis livres. Quantas equações independentes você tem, tantas variáveis dependentes você consegue isolar.
- Escreva o vetor genérico substituindo as variáveis isoladas. O vetor fica em função apenas das variáveis livres.
- Quebre em parcelas: separe a expressão como soma de termos, cada um multiplicado por uma variável livre diferente. Coloque cada variável livre em evidência.
- Leia os geradores: os vetores que sobram após o "fator comum" são os geradores. Como vêm de variáveis livres distintas, são automaticamente LI — formam uma base.
- Confira a dimensão: $\dim(S) =$ número de variáveis livres $=$ (dimensão do espaço ambiente) $-$ (número de equações independentes).
(1) Da segunda equação: $z = 2w$. Substituindo na primeira: $x = y + z = y + 2w$. Variáveis livres: $y, w$.
(2) Vetor genérico: $(y + 2w,\ y,\ 2w,\ w)$.
(3) Separando por $y$ e $w$: $(y+2w, y, 2w, w) = y\,(1,1,0,0) + w\,(2,0,2,1)$.
(4) Base: $\{(1,1,0,0),\ (2,0,2,1)\}$. $\dim(S) = 2$ ✓ (4 coordenadas $-$ 2 equações).
6. Coeficientes de Combinação Linear
Seja $\mathcal{A}$ um subconjunto ortogonal formado por vetores não-nulos. Então:
- $\mathcal{A}$ é automaticamente Linearmente Independente (L.I.).
- Qualquer vetor $v$ gerado por $\mathcal{A}$ pode ser escrito como combinação linear usando projeções diretas, sem precisar de sistemas:
Se a base for ortonormal, a norma de todos os vetores é 1 ($\|v_i\|^2 = 1$). A fórmula inteira simplifica para apenas calcular o produto interno: $c_i = \langle v, v_i \rangle$.
7. Subespaço Ortogonal ($S^\perp$)
Sejam $V$ um espaço com produto interno e $S \subseteq V$. Chamamos de subespaço ortogonal a $S$ o conjunto:
- O conjunto $S^\perp$ é sempre um subespaço vetorial de $V$ (mesmo que o conjunto original $S$ seja apenas um amontoado de pontos e não seja um subespaço).
- Se $S$ for um subespaço válido, então a interseção entre o espaço e sua parede ortogonal contém exclusivamente a origem: $S \cap S^\perp = \{\vec{0}\}$.
Seja $V$ um espaço vetorial de dimensão finita e $W$ um subespaço de $V$. Então:
- Tenha em mãos uma base de $W$. Se $W$ está descrito por equações, primeiro extraia sua base (Tópico 5). Se já está dado por geradores, ótimo.
- Tome um vetor genérico $v = (x_1, \dots, x_n)$ do espaço ambiente.
- Imponha $\langle v, w_i\rangle = 0$ para cada gerador $w_i$ de $W$. Pela linearidade do produto interno, ser ortogonal a todos os geradores é equivalente a ser ortogonal a todo elemento de $W$.
- Resolva o sistema linear homogêneo resultante. As soluções formam $W^\perp$.
- Extraia base de $W^\perp$ usando o processo do Tópico 5 (variáveis livres → geradores).
Atalho útil (somente $\mathbb{R}^n$ com produto canônico): se $W$ é definido por uma equação homogênea $c_1 x_1 + \dots + c_n x_n = 0$, então $W^\perp$ é gerado pelo vetor de coeficientes $(c_1, \dots, c_n)$ — o vetor normal ao hiperplano. Se $W$ for definido por $k$ equações independentes, $W^\perp$ é gerado pelos $k$ vetores de coeficientes correspondentes.
Vetor genérico $v = (x,y,z,t)$. Impondo $\langle v, w_1\rangle = 0$ e $\langle v, w_2\rangle = 0$:
$\begin{cases} x + z + t = 0 \\ x + y + t = 0 \end{cases}$
Isolando $z = -x - t$ e $y = -x - t$, com $x, t$ livres:
$v = x\,(1,-1,-1,0) + t\,(0,-1,-1,1)$.
Base de $W^\perp$: $\{(1,-1,-1,0),\ (0,-1,-1,1)\}$.
Exemplo 2 (atalho via equação): em $\mathbb{R}^3$, $W = \{(x,y,z) : 2x - y + z = 0\}$. O vetor normal é $(2,-1,1)$. Logo, $W^\perp = [(2,-1,1)]$ — direto, sem sistema.
8. Processo de Gram-Schmidt
Todo espaço vetorial de dimensão finita $n \ge 1$ com produto interno possui uma base ortonormal. Podemos sempre construí-la usando o algoritmo abaixo.
Algoritmo para transformar uma base "torta" em uma base perfeitamente a 90 graus:
- $w_1 = v_1$
- $w_2 = v_2 - \frac{\langle v_2, w_1 \rangle}{\|w_1\|^2}w_1$
- $w_{k+1} = v_{k+1} - \sum_{i=1}^k \frac{\langle v_{k+1}, w_i \rangle}{\|w_i\|^2}w_i$
9. Normalização de Vetores
Encolher ou esticar um vetor para fazer com que sua norma seja perfeitamente igual a 1 (Gerando uma base Ortonormal):
10. Projeção Ortogonal e Melhor Aproximação
Dizemos que $u$ é a projeção ortogonal de $v$ sobre o subespaço $W$ ($u = \text{proj}_W v$) se a "sombra" ou resíduo $v - u$ for ortogonal a todo vetor de $W$, ou seja, se $v - u \in W^\perp$.
Fórmula prática de cálculo rápido (Atenção: A base $u_i$ precisa obrigatoriamente ser ortogonal!)
A projeção ortogonal $w_0$ é o vetor do subespaço que tem a menor distância possível para o vetor original $v$. Para qualquer outro vetor $w \in W$ ($w \neq w_0$):
11. Transformações Lineares: Definição e Testes
Sejam $U$ e $V$ espaços vetoriais sobre um corpo $\mathbb{F}$. Uma aplicação $T : U \rightarrow V$ é chamada de transformação linear se:
- Aditividade: $T(u_1 + u_2) = T(u_1) + T(u_2), \forall u_1, u_2 \in U$.
- Homogeneidade: $T(\lambda u) = \lambda T(u), \forall \lambda \in \mathbb{F}, u \in U$.
*Se $U = V$ (sai e chega no mesmo espaço), dizemos que $T$ é um Operador Linear.
Se $T$ é linear, obrigatoriamente $T(0) = 0$, logo o $\text{Nuc}(T)$ nunca é vazio ($\neq \emptyset$). Se a fórmula resulta em $T(0) \neq 0$, reprove de cara (Ex: Translações).
12. O Teorema da Determinação (O "DNA" da Transformação)
Sejam $U$ e $V$ espaços vetoriais. Seja $\mathcal{B} = \{u_1, u_2, \dots, u_n\}$ uma base de $U$ e $\{v_1, v_2, \dots, v_n\}$ um subconjunto qualquer de $V$. Então, existe uma única transformação linear $T : U \rightarrow V$ tal que $T(u_i) = v_i$.
- Imagem de um vetor específico $u$ (que não é um dos $u_i$ da base):
- Escreva $u$ como combinação linear da base: $u = \alpha_1 u_1 + \alpha_2 u_2 + \dots + \alpha_n u_n$. Isso vira um sistema linear nos coeficientes $\alpha_i$ — resolva.
- Aplique a linearidade de $T$: $T(u) = \alpha_1 T(u_1) + \alpha_2 T(u_2) + \dots + \alpha_n T(u_n)$. Substitua cada $T(u_i)$ pelo $v_i$ correspondente (que o problema fornece).
- Some os vetores para obter $T(u)$.
Atalho: se a base $\{u_i\}$ for a canônica, $\alpha_i$ é simplesmente a $i$-ésima coordenada de $u$ — sem sistema. Por isso problemas que dão imagens da canônica são muito mais rápidos.
- Lei Geral $T(x,y,\dots)$: mesmo procedimento aplicado a um vetor genérico $(x,y,\dots)$. Os coeficientes $\alpha_i$ saem em função de $x, y, \dots$. Substituir nos $v_i$ dá a expressão fechada de $T$.
Seja $B = \{u_1, u_2, \dots, u_n\}$ uma base de $U$. Então, o conjunto das saídas $\mathcal{C} = \{T(u_1), T(u_2), \dots, T(u_n)\}$ gera a imagem de $T$.
13. Análise de Existência e Unicidade
Notação fixada: $n = \dim(U)$ (dimensão do domínio da TL). $k =$ quantidade de vetores do domínio cujas imagens o problema fornece. A análise abaixo classifica o problema comparando $k$ com $n$ e checando se os $k$ vetores dados são LI ou LD.
- Caso 1 — $k = n$ e os $k$ vetores são LI: os vetores dados formam uma base completa de $U$. Pelo Teorema da Determinação (Tópico 12), existe uma única TL. As imagens dos vetores fornecidos podem ser quaisquer — não há restrição (não há relação linear no domínio para forçar nada no contradomínio).
- Caso 2 — $k < n$ (faltam imagens): os vetores dados não formam base completa. Para construir uma TL é preciso completar com $(n - k)$ vetores LI escolhidos arbitrariamente e atribuir a eles imagens também arbitrárias. Como cada escolha gera uma TL diferente, existem infinitas TLs satisfazendo as condições dadas.
- Caso 3 — $k > n$, ou $k \le n$ com os vetores LD: há mais vetores do que dimensão do domínio, ou então existe relação linear entre eles. Suponha que $u_3 = u_1 + u_2$ (ou outra relação). Pela linearidade, é obrigatório que $T(u_3) = T(u_1) + T(u_2)$. Verifique se as imagens fornecidas respeitam essa relação:
- Se sim, a TL existe (e pode ser única ou não, conforme os vetores LI dentre os $k$ formem ou não base — recai no Caso 1 ou Caso 2).
- Se não, não existe TL alguma que cumpra todas as condições — há contradição com algum axioma de linearidade.
14. Núcleo (Ker) e a Transformação Injetora
O Núcleo é o "Buraco Negro". É um subespaço válido que contém todos os elementos de $U$ que colapsam e viram o vetor nulo no destino $V$.
Seja $T : U \rightarrow V$. $T$ é injetora se, e somente se, $\text{Nuc}(T) = \{\vec{0}\}$.
15. Imagem (Im) e a Transformação Sobrejetora
A Imagem representa a "Pegada real" gerada pelas saídas da máquina (é um subespaço de $V$).
Dica DimensionalDo espaço menor para um maior (ex: $\mathbb{R}^2 \rightarrow \mathbb{R}^3$) nunca pode ser sobrejetora por falta de graus de liberdade.
$T$ é sobrejetora se, e somente se, a imagem varre o contradomínio inteiro: $\text{Im}(T) = V$.
16. Vocabulário Oficial e o Teorema do Posto-Nulidade
- Posto de $T$: Dimensão numérica da imagem ($\dim \text{Im}(T)$).
- Nulidade de $T$: Dimensão numérica do núcleo ($\dim \text{Nuc}(T)$).
Sejam $U$ e $V$ espaços vetoriais reais com $\dim(U) = n$. Então, a máquina não destrói dimensões, apenas as redistribui:
17. Transformação Bijetora
Gabarita os dois critérios restritivos simultaneamente: é injetora e sobrejetora.
18. Teste de Bijetividade via Determinante (operadores $\mathbb{R}^n \to \mathbb{R}^n$)
Atalho específico para operadores lineares $T: \mathbb{R}^n \to \mathbb{R}^n$ — quando domínio e contradomínio têm a mesma dimensão. Resolve injeção, sobrejeção e bijeção em um único cálculo.
- Calcule as imagens da base canônica: $T(e_1), T(e_2), \dots, T(e_n)$. Esses vetores são, simultaneamente, os geradores da imagem $\text{Im}(T)$ (Lema dos Geradores da Imagem, Tópico 12).
- Monte a matriz $M$ cujas colunas são $T(e_1), T(e_2), \dots, T(e_n)$. Essa é a matriz canônica do operador. Calcule $\det(M)$.
- Aplique o Teorema do Núcleo-Imagem para concluir tudo:
- Se $\det(M) \neq 0$: as $n$ colunas são LI, então $\dim\text{Im}(T) = n$ (posto máximo). Como $\text{Im}(T) \subseteq \mathbb{R}^n$ e tem dimensão $n$, conclui-se $\text{Im}(T) = \mathbb{R}^n$ ⇒ sobrejetora. Pelo teorema $\dim\mathbb{R}^n = \dim\text{Nuc}(T) + \dim\text{Im}(T)$, ou seja $n = \dim\text{Nuc}(T) + n$, logo $\dim\text{Nuc}(T) = 0$ ⇒ $\text{Nuc}(T) = \{0\}$ ⇒ injetora. Portanto, bijetora.
- Se $\det(M) = 0$: as colunas são LD, $\dim\text{Im}(T) < n$ ⇒ não é sobrejetora, e (também pelo teorema) $\dim\text{Nuc}(T) > 0$ ⇒ não é injetora.
Matriz canônica (colunas $=$ imagens dos $e_i$):
$M = \begin{pmatrix} 1 & 1 & 1 \\ 1 & -2 & 0 \\ 1 & 1 & -1 \end{pmatrix}$.
Calculando o determinante (expansão pela primeira linha):
$\det(M) = 1\cdot[(-2)(-1) - (0)(1)] - 1\cdot[(1)(-1) - (0)(1)] + 1\cdot[(1)(1) - (-2)(1)]$
$= 1\cdot 2 - 1\cdot(-1) + 1\cdot 3 = 2 + 1 + 3 = 6 \neq 0$.
Conclusão direta:
— Colunas LI ⇒ $\dim\text{Im}(T) = 3 = \dim\mathbb{R}^3$ ⇒ $\text{Im}(T) = \mathbb{R}^3$ ⇒ sobrejetora.
— Teorema Núcleo-Imagem: $3 = \dim\text{Nuc}(T) + 3$ ⇒ $\dim\text{Nuc}(T) = 0$ ⇒ $\text{Nuc}(T) = \{0\}$ ⇒ injetora.
— Portanto, $T$ é bijetora (isomorfismo).
Como bônus, $\{T(e_1), T(e_2), T(e_3)\} = \{(1,1,1), (1,-2,1), (1,0,-1)\}$ é uma base de $\text{Im}(T) = \mathbb{R}^3$.
19. Construção de Transformações Lineares (Engenharia Reversa)
- O Chefe é o Domínio: A dimensão do espaço de entrada dita rigorosamente quantos vetores L.I. você precisa configurar.
- Distribuição de Tarefas: Os geradores do Núcleo vão obrigatoriamente para o vetor zero. Os vetores restantes vão para os geradores da imagem encomendados.
- Apenas Complete o Domínio: Invente elementos (ex: base canônica) para fechar a base de entrada. Nunca invente vetores na imagem.
20. Caderno 1: Produto Interno, Projeções e Espaços Ortogonais
Resoluções completas dos exercícios de métrica e geometria em espaços vetoriais.
Considere o espaço vetorial $\mathbb{R}^3$ com produto interno euclidiano e os vetores $u = (1, 2, 3)$, $v = (3, -5, 8)$, $w = (-2, 2, 7)$. Calcule $\langle u, v \rangle$, $\langle u, w \rangle$, $\langle v, w \rangle$.
Roteiro: (1) emparelhar coordenadas; (2) somar os três termos com sinal.
$\langle u, v \rangle = (1)(3) + (2)(-5) + (3)(8) = 3 - 10 + 24 = $ $17$
$\langle u, w \rangle = (1)(-2) + (2)(2) + (3)(7) = -2 + 4 + 21 = $ $23$
$\langle v, w \rangle = (3)(-2) + (-5)(2) + (8)(7) = -6 - 10 + 56 = $ $40$
Verifique se $\langle u, v \rangle = \sum_{i=1}^n u_i |v_i|$ define um produto interno em $\mathbb{R}^n$.
Atalho: a presença de $|v_i|$ quebra a simetria de cara, pois trocar $u\leftrightarrow v$ muda o sinal. Teste com vetores de uma coordenada em $\mathbb{R}^1$ — derruba a função sem álgebra pesada.
Seja $u = (1)$ e $v = (-1)$.
$\langle u, v \rangle = u_1 |v_1| = 1 \cdot |-1| = 1 \cdot 1 = 1$
$\langle v, u \rangle = v_1 |u_1| = (-1) \cdot |1| = -1 \cdot 1 = -1$
Conclusão: Como $1 \neq -1$, a função falha no axioma da simetria de cara. Não define um produto interno.
Seja $A = (a_{ij}) \in M_{2 \times 2}(\mathbb{R})$. Dados $u = (x_1, x_2)$, $v = (y_1, y_2)$, defina:
$\langle u, v \rangle = a_{11}x_1y_1 + a_{12}x_1y_2 + a_{21}x_2y_1 + a_{22}x_2y_2$.
b.) Mostre que a simetria é satisfeita se, e somente se, $A$ é simétrica.
c.) Qual matriz $A$ leva ao produto interno canônico?
d.) Quais matrizes definem produtos internos válidos?
$A_1 = \begin{bmatrix} 2 & 1 \\ 1 & 1 \end{bmatrix}, A_2 = \begin{bmatrix} -1 & 0 \\ 1 & 0 \end{bmatrix}, A_3 = \begin{bmatrix} 1 & 1 \\ 1 & 1 \end{bmatrix}, A_4 = \begin{bmatrix} -1 & 1 \\ 1 & -2 \end{bmatrix}$
(b) Simetria $\langle u,v\rangle = \langle v,u\rangle$ depende só dos coeficientes cruzados $a_{12}$ e $a_{21}$ — comparar termo a termo após trocar $u\leftrightarrow v$.
(c) Produto canônico em $\mathbb{R}^2$ é $x_1y_1+x_2y_2$; isso fixa diagonal $1$ e cruzados $0$ ⇒ matriz identidade.
(d) Para cada $A_i$, aplicar dois filtros em ordem: (1) simetria (descarta rápido); (2) positividade $\langle u,u\rangle>0$ para $u\neq 0$ — usar completar quadrados se simétrica, ou achar $u\neq 0$ com $\langle u,u\rangle\le 0$ para refutar.
Ponto de partida — $\langle u, v \rangle$ (definição, $u$ entra primeiro):
$\langle u, v \rangle = a_{11}x_1y_1 + \mathbf{a_{12}}x_1y_2 + \mathbf{a_{21}}x_2y_1 + a_{22}x_2y_2$
Calculando $\langle v, u \rangle$ (trocando os papéis — onde havia $x_i$ coloca-se $y_i$ e vice-versa) e usando comutatividade dos reais ($y_j x_i = x_i y_j$):
$\langle v, u \rangle = a_{11}x_1y_1 + \mathbf{a_{12}}x_2y_1 + \mathbf{a_{21}}x_1y_2 + a_{22}x_2y_2$
Comparando os termos cruzados em negrito:
— Em $\langle u,v \rangle$: coeficiente $a_{12}$ multiplica $x_1y_2$, e $a_{21}$ multiplica $x_2y_1$.
— Em $\langle v,u \rangle$: $a_{12}$ multiplica $x_2y_1$, e $a_{21}$ multiplica $x_1y_2$.
Para que as duas expressões sejam idênticas para quaisquer $x_1, x_2, y_1, y_2$, é necessário e suficiente que $a_{12} = a_{21}$, que é exatamente a definição de $A = A^T$. $\blacksquare$
- $A_1$: Simétrica ($a_{12}=a_{21}=1$). Positividade: $\langle u,u \rangle = 2x_1^2 + 2x_1x_2 + x_2^2$. Completando quadrados: $x_1^2 + (x_1+x_2)^2 \ge 0$, e é zero só se $x_1=0$ e $x_1+x_2=0$, i.e., $u=0$. SIM, define produto interno.
- $A_2$: Não é simétrica ($a_{12}=0 \neq 1=a_{21}$). Falha antes mesmo do teste de positividade. NÃO.
- $A_3$: Simétrica. Positividade: $\langle u,u \rangle = x_1^2 + 2x_1x_2 + x_2^2 = (x_1+x_2)^2$. Para $u=(1,-1)$, obtemos $(1-1)^2 = 0$ com $u \neq 0$. Viola o axioma. NÃO.
- $A_4$: Simétrica ($a_{12}=a_{21}=1$). Positividade: $\langle u,u \rangle = -x_1^2 + 2x_1x_2 - 2x_2^2$. Para $u=(1,0)$, resulta $-1 < 0$. Viola o axioma. NÃO.
Sejam $V = \mathbb{M}_2(\mathbb{R})$, $A = \begin{pmatrix} 0 & 1 \\ 1 & 1 \end{pmatrix}$ e $B = \begin{pmatrix} 1 & 0 \\ 0 & 0 \end{pmatrix}$. Considerando $\langle X, Y \rangle = \text{tr}(Y^t X)$, calcule $\langle A, B \rangle$, $\|A\|$ e $\|B - A\|$.
Roteiro: (1) $\langle A,B\rangle$ via $\text{tr}(B^t A)$; (2) $\|A\|^2 = \text{tr}(A^t A)$; (3) montar $D=B-A$ e aplicar $\|D\| = \sqrt{\text{tr}(D^t D)}$.
$B^t A = \begin{pmatrix} 1 & 0 \\ 0 & 0 \end{pmatrix} \begin{pmatrix} 0 & 1 \\ 1 & 1 \end{pmatrix} = \begin{pmatrix} 0 & 1 \\ 0 & 0 \end{pmatrix}$.
Traço é a soma da diagonal: $0 + 0 = 0$. Logo, $\langle A, B \rangle = $ $0$. (Eles são ortogonais!)
$A^t = \begin{pmatrix} 0 & 1 \\ 1 & 1 \end{pmatrix}$. Multiplicando:
$A^t A = \begin{pmatrix} 0 & 1 \\ 1 & 1 \end{pmatrix}\begin{pmatrix} 0 & 1 \\ 1 & 1 \end{pmatrix} = \begin{pmatrix} 0\cdot0+1\cdot1 & 0\cdot1+1\cdot1 \\ 1\cdot0+1\cdot1 & 1\cdot1+1\cdot1 \end{pmatrix} = \begin{pmatrix} 1 & 1 \\ 1 & 2 \end{pmatrix}$.
Traço $= 1 + 2 = 3$. Logo, $\|A\| = \sqrt{3}$.
Matriz diferença: $D = B - A = \begin{pmatrix} 1 & 0 \\ 0 & 0 \end{pmatrix} - \begin{pmatrix} 0 & 1 \\ 1 & 1 \end{pmatrix} = \begin{pmatrix} 1 & -1 \\ -1 & -1 \end{pmatrix}$.
$D$ é simétrica, então $D^t = D$. Calculando $D^t D = D^2$:
$D^2 = \begin{pmatrix} 1 & -1 \\ -1 & -1 \end{pmatrix}\begin{pmatrix} 1 & -1 \\ -1 & -1 \end{pmatrix} = \begin{pmatrix} 1+1 & -1+1 \\ -1+1 & 1+1 \end{pmatrix} = \begin{pmatrix} 2 & 0 \\ 0 & 2 \end{pmatrix}$.
Traço $= 2 + 2 = 4$. Norma $= \sqrt{4} = $ $2$.
Seja $V = \mathcal{P}_2(\mathbb{R})$ com o produto interno $\langle p, q \rangle = \int_0^1 p(x)q(x)dx$. Calcule a distância $d(u, v)$ onde $u = 1 + x$ e $v = \frac{3}{4}x + 3x^2$.
Roteiro: (1) $w = u-v$ (vetor diferença); (2) expandir $w^2$ por trinômio; (3) integrar termo a termo com $\int_0^1 x^n\,dx = \tfrac{1}{n+1}$; (4) tirar raiz no fim.
$w = u - v = 1 + \frac{1}{4}x - 3x^2$.
Usando a fórmula do trinômio: $(a+b+c)^2 = a^2+b^2+c^2+2ab+2ac+2bc$, com $a=1$, $b=\frac{1}{4}x$, $c=-3x^2$:
$(1)^2 + (\tfrac{1}{4}x)^2 + (-3x^2)^2 + 2(1)(\tfrac{1}{4}x) + 2(1)(-3x^2) + 2(\tfrac{1}{4}x)(-3x^2)$
$= 1 + \tfrac{1}{16}x^2 + 9x^4 + \tfrac{1}{2}x - 6x^2 - \tfrac{3}{2}x^3$
Agrupando os termos de $x^2$: $\tfrac{1}{16} - 6 = \tfrac{1-96}{16} = -\tfrac{95}{16}$.
Integrando: $\|w\|^2 = \int_0^1 \left(1 + \tfrac{1}{2}x - \tfrac{95}{16}x^2 - \tfrac{3}{2}x^3 + 9x^4\right)dx$.
Aplicando a regra da potência $\int_0^1 x^n dx = \frac{1}{n+1}$:
$= 1 + \tfrac{1}{2}\cdot\tfrac{1}{2} - \tfrac{95}{16}\cdot\tfrac{1}{3} - \tfrac{3}{2}\cdot\tfrac{1}{4} + 9\cdot\tfrac{1}{5}$
$= 1 + \tfrac{1}{4} - \tfrac{95}{48} - \tfrac{3}{8} + \tfrac{9}{5}$
MMC de $\{1, 4, 48, 8, 5\} = 240$:
$= \tfrac{240 + 60 - 475 - 90 + 432}{240} = \tfrac{167}{240}$.
A distância é $d(u,v) = \sqrt{\dfrac{167}{240}}$.
Ex 15: Em $\mathbb{R}^4$, seja $W = [(1, 0, 1, 1), (1, 1, 0, 1)]$. Determine base para $W^\perp$.
Ex 16: Em $\mathbb{R}^2$, seja $U = \{(x,y) : y - 2x = 0\}$. Determine o subespaço $U^\perp$.
Roteiro: (1) montar uma equação por gerador; (2) resolver o sistema (geralmente isolando variáveis dependentes); (3) escrever o vetor genérico em função das variáveis livres; (4) cada variável livre dá um vetor da base de $W^\perp$.
Condição 1 — ortogonal a $(1,0,1,1)$:
$\langle v, (1,0,1,1)\rangle = x + z + w = 0 \implies z = -x - w$
Condição 2 — ortogonal a $(1,1,0,1)$:
$\langle v, (1,1,0,1)\rangle = x + y + w = 0 \implies y = -x - w$
Vetor genérico substituindo $y$ e $z$: $(x,\ -x-w,\ -x-w,\ w)$.
Separando em variáveis livres $x$ e $w$: $x(1,-1,-1,0) + w(0,-1,-1,1)$.
Base de $W^\perp = \mathbf{\{(1,-1,-1,0),\ (0,-1,-1,1)\}}$.
Ortogonalidade: $\langle (x,y), (1,2) \rangle = 0 \implies x + 2y = 0 \implies x = -2y$.
Substituindo genérico: $(-2y, y) = y(-2, 1)$. Base de $U^\perp = $ $\{(-2, 1)\}$.
Considere o $\mathbb{R}^3$ com produto interno canônico. Obtenha a projeção do vetor $v = (3,0,2)$ sobre o subespaço $W = [(1,0,-2), (1,1,1)]$.
Roteiro: (1) checar se geradores são ortogonais; (2) se não, aplicar Gram-Schmidt (Aula 12) para fabricar base ortogonal; (3) aplicar a fórmula de projeção sobre cada vetor da nova base; (4) somar projeções.
Fixamos $w_1 = (1,0,-2)$. Norma quadrada: $\|w_1\|^2 = 1+0+4 = 5$.
Produto interno cruzado: $\langle u_2, w_1 \rangle = (1)(1)+(1)(0)+(1)(-2) = -1$.
$w_2 = (1,1,1) - \frac{-1}{5}(1,0,-2) = (1,1,1) + \left(\tfrac{1}{5}, 0, -\tfrac{2}{5}\right) = \left(\tfrac{6}{5}, 1, \tfrac{3}{5}\right)$.
Multiplicando por 5 (preserva direção, elimina frações): $w_2' = (6, 5, 3)$. Norma quadrada: $36+25+9 = 70$.
Coeficiente em $w_1$: $\langle (3,0,2),(1,0,-2)\rangle = 3+0-4 = -1$. Fração: $\dfrac{-1}{5}$.
Coeficiente em $w_2'$: $\langle (3,0,2),(6,5,3)\rangle = 18+0+6 = 24$. Fração: $\dfrac{24}{70} = \dfrac{12}{35}$.
$\text{Proj}_W v = -\tfrac{1}{5}(1,0,-2) + \tfrac{12}{35}(6,5,3)$
Usando MMC 35:
Coord. $x$: $-\tfrac{7}{35} + \tfrac{72}{35} = \tfrac{65}{35} = \tfrac{13}{7}$
Coord. $y$: $0 + \tfrac{60}{35} = \tfrac{12}{7}$
Coord. $z$: $\tfrac{14}{35} + \tfrac{36}{35} = \tfrac{50}{35} = \tfrac{10}{7}$
$\text{Proj}_W v = \mathbf{\left(\tfrac{13}{7}, \tfrac{12}{7}, \tfrac{10}{7}\right)}$.
Considere $P_2(\mathbb{R})$ com o produto interno $\langle p, q \rangle = p(-2)q(-2) + p(0)q(0) + p(1)q(1)$. Determine a projeção de $p(x) = x^2 - 4$ sobre $W = [x - 1]$.
Roteiro: (1) avaliar $p$ e $q$ nos três pontos fixos do produto; (2) calcular $\langle p,q\rangle$ e $\|q\|^2$ como produto de pares de valores; (3) substituir na fórmula.
$p(-2) = 0, \ p(0) = -4, \ p(1) = -3$.
$q(-2) = -3, \ q(0) = -1, \ q(1) = 0$.
$\langle p, q \rangle = (0)(-3) + (-4)(-1) + (-3)(0) = 4$.
$\|q\|^2 = (-3)^2 + (-1)^2 + (0)^2 = 10$.
$\text{Proj}_W p = \frac{4}{10}(x - 1) = \mathbf{\frac{2}{5}x - \frac{2}{5}}$.
Seja $V = P_3(\mathbb{R})$ com produto interno $\langle p, q \rangle = \int_0^1 p(x)q(x)dx$. Encontre o polinômio de grau $\le 1$ que melhor aproxima $p(x) = x^3$.
Roteiro: (1) identificar que aproximação $=$ projeção; (2) verificar que $\{1,x\}$ não é ortogonal nessa integral — aplicar Gram-Schmidt; (3) projetar $x^3$ em cada vetor da base ortogonal e somar.
Fixamos $w_1 = 1$. Norma quadrada: $\|w_1\|^2 = \int_0^1 1\,dx = 1$.
Produto interno cruzado: $\langle x, 1\rangle = \int_0^1 x\,dx = \tfrac{1}{2}$.
$w_2 = x - \dfrac{1/2}{1}\cdot 1 = x - \tfrac{1}{2}$.
Norma quadrada: $\|w_2\|^2 = \int_0^1 \left(x-\tfrac{1}{2}\right)^2 dx = \int_0^1 \left(x^2 - x + \tfrac{1}{4}\right)dx = \tfrac{1}{3} - \tfrac{1}{2} + \tfrac{1}{4} = \tfrac{1}{12}$.
Coeficiente em $w_1$: $\langle x^3, 1\rangle = \int_0^1 x^3\,dx = \tfrac{1}{4}$. Fração: $\dfrac{1/4}{1} = \dfrac{1}{4}$.
Coeficiente em $w_2$: $\langle x^3, x-\tfrac{1}{2}\rangle = \int_0^1 x^3\left(x-\tfrac{1}{2}\right)dx = \int_0^1 \left(x^4 - \tfrac{1}{2}x^3\right)dx = \tfrac{1}{5} - \tfrac{1}{8} = \tfrac{3}{40}$. Fração: $\dfrac{3/40}{1/12} = \dfrac{3\cdot12}{40} = \dfrac{9}{10}$.
$\text{Proj}_W(x^3) = \tfrac{1}{4}(1) + \tfrac{9}{10}\left(x - \tfrac{1}{2}\right) = \tfrac{1}{4} + \tfrac{9}{10}x - \tfrac{9}{20} = \tfrac{9}{10}x - \tfrac{1}{5}$
Melhor aproximação de grau $\le 1$: $\mathbf{\dfrac{9}{10}x - \dfrac{1}{5}}$.
Considere $P_3(\mathbb{R})$ com produto interno de integral $\int_0^1 f(x)g(x)dx$. Dado $W = [5, 1+x]$, exiba uma base ortonormal de $W^\perp$.
Roteiro: (1) simplificar $W$ trocando geradores por base mais simples; (2) escrever $p \in P_3$ genérico e impor $\langle p,w_i\rangle = 0$ para cada gerador $\Rightarrow$ sistema linear; (3) resolver, extrair geradores de $W^\perp$; (4) Gram-Schmidt nesses geradores (dica: fixar o de menor grau primeiro reduz contas); (5) normalizar dividindo por $\|w_i\|$.
$[5, 1+x]$ gera as mesmas direções que $[1, x]$ (5 é escalar; $1+x$ contém 1 e $x$). Trabalhamos com $[1, x]$ para simplificar as integrais.
Vetor genérico de $P_3$: $p(x) = ax^3 + bx^2 + cx + d$.
Condição 1 — $\langle p, 1\rangle = 0$:
$\int_0^1 (ax^3+bx^2+cx+d)dx = \tfrac{a}{4}+\tfrac{b}{3}+\tfrac{c}{2}+d = 0$
Condição 2 — $\langle p, x\rangle = 0$:
$\int_0^1 (ax^4+bx^3+cx^2+dx)dx = \tfrac{a}{5}+\tfrac{b}{4}+\tfrac{c}{3}+\tfrac{d}{2} = 0$
Da Eq 1: $d = -\tfrac{a}{4} - \tfrac{b}{3} - \tfrac{c}{2}$.
Substituindo em Eq 2 e calculando (MMC 120):
$\left(\tfrac{1}{5}-\tfrac{1}{8}\right)a + \left(\tfrac{1}{4}-\tfrac{1}{6}\right)b + \left(\tfrac{1}{3}-\tfrac{1}{4}\right)c = 0$
$\tfrac{3}{40}a + \tfrac{1}{12}b + \tfrac{1}{12}c = 0 \xrightarrow{\times 120} 9a + 10b + 10c = 0$
Isolando: $c = -\tfrac{9}{10}a - b$, e de volta: $d = \tfrac{1}{5}a + \tfrac{1}{6}b$.
$p(x) = a\!\left(x^3 - \tfrac{9}{10}x + \tfrac{1}{5}\right) + b\!\left(x^2 - x + \tfrac{1}{6}\right)$.
Multiplicando por 10 e 6 para eliminar frações: $v_1 = 10x^3 - 9x + 2$ e $v_2 = 6x^2 - 6x + 1$.
$w_1 = v_2 = 6x^2-6x+1$.
$\|w_1\|^2 = \int_0^1(6x^2-6x+1)^2dx = \tfrac{36}{5}-18+16-6+1 = \tfrac{1}{5}$.
$\langle v_1, w_1\rangle = \int_0^1(10x^3-9x+2)(6x^2-6x+1)dx$.
Expandindo e integrando, obtém-se $\langle v_1, w_1\rangle = \tfrac{1}{2}$.
$w_2 = v_1 - \dfrac{1/2}{1/5}w_1 = (10x^3-9x+2) - \tfrac{5}{2}(6x^2-6x+1) = 10x^3-15x^2+6x-\tfrac{1}{2}$.
$\|w_2\|^2 = \tfrac{1}{7}$.
$e_1 = \dfrac{w_1}{\|w_1\|} = \sqrt{5}(6x^2-6x+1)$
$e_2 = \dfrac{w_2}{\|w_2\|} = \sqrt{7}\!\left(10x^3-15x^2+6x-\tfrac{1}{2}\right)$
Base ortonormal de $W^\perp$: $\{e_1, e_2\}$.
O conjunto $A = \{\cos(nx) : n = 1, 2, 3, \dots\}$ é ortogonal em $C([0, 2\pi])$?
Roteiro: (1) tomar $m \neq n$ genéricos; (2) abrir $\cos(mx)\cos(nx)$ via produto-em-soma trigonométrico; (3) integrar — cosseno em período completo $= 0$. Se zera para todo $m\neq n$, ortogonal.
$\langle \cos(mx), \cos(nx) \rangle = \int_0^{2\pi} \cos(mx)\cos(nx) dx$.
Usando identidade trigonométrica: $\cos(mx)\cos(nx) = \frac{1}{2}[\cos((m+n)x) + \cos((m-n)x)]$.
A integral do cosseno sobre períodos completos (de $0$ a $2\pi$) é sempre zero. Logo, $\langle \cos(mx), \cos(nx) \rangle = 0$.
Como o produto interno entre vetores distintos é zero, SIM, o conjunto é ortogonal.
Seja $V = P_2(\mathbb{R})$. Determine $m$ tal que $f(t) = mt^2 - 1$ é ortogonal a $g(t) = t$,
(1) com respeito a $\langle f,g \rangle = \int_0^1 f(t)g(t)dt$.
(2) E se mudarmos o intervalo para $[-1, 1]$, o que acontece com $m$?
Roteiro (1): expandir $fg$, integrar em $[0,1]$, igualar a zero e resolver para $m$.
Atalho (2): no intervalo simétrico $[-1,1]$, se $fg$ é ímpar a integral é sempre zero $\Rightarrow$ ortogonalidade vale para qualquer $m$. Sempre checar paridade quando o intervalo é simétrico.
$\int_0^1 (mt^2 - 1)t \, dt = \int_0^1 (mt^3 - t) \, dt = \left[ m\frac{t^4}{4} - \frac{t^2}{2} \right]_0^1 = \frac{m}{4} - \frac{1}{2}$.
Igualando a zero: $\frac{m}{4} - \frac{1}{2} = 0 \implies \frac{m}{4} = \frac{1}{2} \implies$ $m = 2$.
$\int_{-1}^1 (mt^3 - t) \, dt$. Note que $(mt^3 - t)$ é uma função **ímpar**.
A integral de qualquer função ímpar em um intervalo simétrico (como de $-1$ a $1$) é **sempre zero**, independentemente do valor de $m$.
Logo, o que acontece com $m$? $m$ pode ser qualquer número real ($m \in \mathbb{R}$).
Mostre que $B = \{(-\frac{3}{5}, \frac{4}{5}, 0), (\frac{4}{5}, \frac{3}{5}, 0), (0, 0, 1)\}$ é um conjunto ortonormal do $\mathbb{R}^3$.
Roteiro: (1) calcular $\binom{n}{2}$ produtos internos cruzados — se algum não zera, falha; (2) calcular $\|v_i\|^2$ para cada vetor — se algum $\neq 1$, falha.
$\langle v_1, v_2 \rangle = (-\frac{3}{5})(\frac{4}{5}) + (\frac{4}{5})(\frac{3}{5}) + 0 = -\frac{12}{25} + \frac{12}{25} = 0$.
Os vetores $v_1$ e $v_2$ obviamente batem zero com $v_3$ (pois as coordenadas de $Z$ isolam-se multiplicando por $0$). Ok.
$\|v_1\|^2 = (-\frac{3}{5})^2 + (\frac{4}{5})^2 = \frac{9}{25} + \frac{16}{25} = \frac{25}{25} = 1$.
$\|v_2\|^2 = (\frac{4}{5})^2 + (\frac{3}{5})^2 = \frac{16}{25} + \frac{9}{25} = \frac{25}{25} = 1$.
$\|v_3\|^2 = 1^2 = 1$.
Como todos são ortogonais entre si e possuem norma exata 1, está provado.
Usando o resultado anterior, escreva o vetor $u = (3, 5, 1)$ como combinação linear dos vetores do conjunto ortonormal $B = \{(-\frac{3}{5}, \frac{4}{5}, 0), (\frac{4}{5}, \frac{3}{5}, 0), (0, 0, 1)\}$.
Roteiro: (1) confirmar que a base é ortonormal (feito no Ex 27); (2) calcular $c_i = \langle u, v_i\rangle$ um a um; (3) escrever $u = c_1 v_1 + \dots + c_n v_n$.
$c_1 = \langle (3,5,1), (-\frac{3}{5}, \frac{4}{5}, 0) \rangle = -\frac{9}{5} + \frac{20}{5} = \mathbf{\frac{11}{5}}$.
$c_2 = \langle (3,5,1), (\frac{4}{5}, \frac{3}{5}, 0) \rangle = \frac{12}{5} + \frac{15}{5} = \mathbf{\frac{27}{5}}$.
$c_3 = \langle (3,5,1), (0,0,1) \rangle = \mathbf{1}$.
Combinação final: $u = \frac{11}{5}v_1 + \frac{27}{5}v_2 + 1v_3$.
Seja $V$ um espaço vetorial real munido de um produto interno e sejam $u, v \in V$. Mostre que $u$ e $v$ são ortogonais se, e somente se, $\|u+v\|^2 = \|u\|^2 + \|v\|^2$.
Roteiro: (1) expandir $\|u+v\|^2$ usando linearidade do produto interno; (2) Ida ($\Rightarrow$): se ortogonais, $\langle u,v\rangle=0$ apaga o termo cruzado; (3) Volta ($\Leftarrow$): igualdade de Pitágoras força $2\langle u,v\rangle=0$.
$\|u+v\|^2 = \langle u+v, u+v \rangle$.
Fazendo a distributiva pelos axiomas do produto interno:
$\langle u,u \rangle + \langle u,v \rangle + \langle v,u \rangle + \langle v,v \rangle$.
Pela simetria ($\langle u,v \rangle = \langle v,u \rangle$):
$\|u\|^2 + 2\langle u,v \rangle + \|v\|^2$.
Substituindo na expansão: $\|u\|^2 + 2(0) + \|v\|^2 = \|u\|^2 + \|v\|^2$. Provado.
Substituindo a expansão que fizemos no Passo 1:
$\|u\|^2 + 2\langle u,v \rangle + \|v\|^2 = \|u\|^2 + \|v\|^2$.
Cancelando as normas dos dois lados, sobra: $2\langle u,v \rangle = 0 \implies \langle u,v \rangle = 0$. Logo, são ortogonais. Provado!
Obtenha uma base ortonormal do $\mathbb{R}^3$ a partir do conjunto $v_1 = (1,1,1)$, $v_2 = (1,-1,1)$ e $v_3 = (-1,0,1)$.
Roteiro: (1) fixar $w_1 = v_1$; (2) para cada $v_k$ seguinte, subtrair projeções nos $w_j$ anteriores; (3) truque: multiplicar $w_k$ por escalar para limpar frações (preserva direção, simplifica conta); (4) no fim, dividir cada $w_k$ por $\|w_k\|$ para ortonormalizar.
Fixamos $w_1 = (1,1,1)$. Norma quadrada: $\|w_1\|^2 = 1+1+1 = 3$.
Produto interno cruzado: $\langle v_2, w_1\rangle = (1)(1)+(-1)(1)+(1)(1) = 1$.
$w_2 = (1,-1,1) - \dfrac{1}{3}(1,1,1) = \left(\tfrac{2}{3}, -\tfrac{4}{3}, \tfrac{2}{3}\right)$.
Multiplicando por 3 para eliminar frações: $w_2' = (2,-4,2)$. Norma quadrada: $4+16+4 = 24$.
Produtos internos de $v_3$ com $w_1$ e $w_2'$:
$\langle v_3, w_1\rangle = (-1)(1)+(0)(1)+(1)(1) = 0$
$\langle v_3, w_2'\rangle = (-1)(2)+(0)(-4)+(1)(2) = 0$
Ambas as projeções zeram — $v_3$ já é ortogonal aos dois anteriores.
$w_3 = (-1,0,1)$. Norma quadrada: $1+0+1 = 2$.
$q_1 = \mathbf{\frac{1}{\sqrt{3}}(1,1,1)}$
$q_2 = \frac{1}{\sqrt{24}}(2,-4,2) = \frac{1}{2\sqrt{6}}(2,-4,2) = \mathbf{\frac{1}{\sqrt{6}}(1,-2,1)}$
$q_3 = \mathbf{\frac{1}{\sqrt{2}}(-1,0,1)}$
Determine uma base ortogonal do subespaço $U = \{(x,y,z,w) : x-y-z=0, \ z-2w=0\} \subset \mathbb{R}^4$.
Roteiro: (1) resolver o sistema isolando variáveis dependentes em função das livres; (2) escrever o vetor genérico e separar pelos parâmetros livres — cada parâmetro gera um vetor da base; (3) aplicar Gram-Schmidt nos geradores extraídos.
O vetor genérico fica: $(y+2w, y, 2w, w) = y(1,1,0,0) + w(2,0,2,1)$.
Os geradores são $v_1 = (1,1,0,0)$ e $v_2 = (2,0,2,1)$.
$w_1 = (1,1,0,0)$. A norma quadrada é $\|w_1\|^2 = 2$.
$w_2 = (2,0,2,1) - \frac{\langle (2,0,2,1), (1,1,0,0) \rangle}{2}(1,1,0,0) = (2,0,2,1) - \frac{2}{2}(1,1,0,0)$.
$w_2 = (2,0,2,1) - (1,1,0,0) = (1,-1,2,1)$.
A base ortogonal gerada é $\{(1,1,0,0), (1,-1,2,1)\}$.
Encontre uma base ortonormal do subespaço $W = \left\{ \begin{pmatrix} x & y \\ z & t \end{pmatrix} : x+y-z=0 \right\} \subset M_2(\mathbb{R})$.
Roteiro: (1) usar a restrição para parametrizar a matriz genérica; (2) extrair geradores matriciais $M_1, M_2, M_3$; (3) Gram-Schmidt com $\langle A,B\rangle = \text{tr}(A^t B)$; (4) normalizar dividindo por $\sqrt{\langle W_i,W_i\rangle}$.
Matriz genérica: $\begin{pmatrix} x & y \\ x+y & t \end{pmatrix} = x\begin{pmatrix} 1 & 0 \\ 1 & 0 \end{pmatrix} + y\begin{pmatrix} 0 & 1 \\ 1 & 0 \end{pmatrix} + t\begin{pmatrix} 0 & 0 \\ 0 & 1 \end{pmatrix}$.
Geradores: $M_1 = \begin{pmatrix} 1 & 0 \\ 1 & 0 \end{pmatrix}$, $M_2 = \begin{pmatrix} 0 & 1 \\ 1 & 0 \end{pmatrix}$, $M_3 = \begin{pmatrix} 0 & 0 \\ 0 & 1 \end{pmatrix}$.
$W_1 = M_1$. Norma quadrada: soma dos quadrados dos elementos $= 1^2+0^2+1^2+0^2 = 2$.
Calculando $\langle M_2, W_1\rangle = \text{tr}(W_1^T M_2)$:
$W_1^T = \begin{pmatrix}1&1\\0&0\end{pmatrix}$, então $W_1^T M_2 = \begin{pmatrix}1&1\\0&0\end{pmatrix}\begin{pmatrix}0&1\\1&0\end{pmatrix} = \begin{pmatrix}1&1\\0&0\end{pmatrix}$. Traço $= 1$.
$W_2 = M_2 - \dfrac{1}{2}W_1 = \begin{pmatrix}0&1\\1&0\end{pmatrix} - \begin{pmatrix}1/2&0\\1/2&0\end{pmatrix} = \begin{pmatrix}-1/2&1\\1/2&0\end{pmatrix}$.
Multiplicando por 2: $W_2' = \begin{pmatrix}-1&2\\1&0\end{pmatrix}$. Norma quadrada: $1+4+1+0 = 6$.
Para $M_3$: $\langle M_3,W_1\rangle = \text{tr}\!\left(\begin{pmatrix}1&1\\0&0\end{pmatrix}\begin{pmatrix}0&0\\0&1\end{pmatrix}\right) = \text{tr}\begin{pmatrix}0&1\\0&0\end{pmatrix} = 0$.
$\langle M_3,W_2'\rangle = \text{tr}\!\left(\begin{pmatrix}-1&1\\2&0\end{pmatrix}\begin{pmatrix}0&0\\0&1\end{pmatrix}\right) = \text{tr}\begin{pmatrix}0&1\\0&0\end{pmatrix} = 0$.
$M_3$ já é ortogonal às duas anteriores: $W_3 = M_3$. Norma quadrada: $0+0+0+1 = 1$.
$N_1 = \mathbf{\frac{1}{\sqrt{2}}\begin{pmatrix} 1 & 0 \\ 1 & 0 \end{pmatrix}}$, \ \ $N_2 = \mathbf{\frac{1}{\sqrt{6}}\begin{pmatrix} -1 & 2 \\ 1 & 0 \end{pmatrix}}$, \ \ $N_3 = \mathbf{\begin{pmatrix} 0 & 0 \\ 0 & 1 \end{pmatrix}}$.
21. Caderno 2: Transformações Lineares
Compilação exata dos exercícios resolvidos focando no DNA da máquina, injeção, sobrejeção e testes teóricos.
Verifique se as aplicações $T : \mathbb{R}^2 \rightarrow \mathbb{R}^2$ abaixo são transformações lineares:
1. $T(x,y) = (x + 2, y)$ (Translação)
2. $T(x,y) = (x + y, y)$ (Cisalhamento)
Atalho mortal: sempre comece pelo "teste do zero" $T(0) \stackrel{?}{=} 0$. Se sim, ainda precisa verificar formalmente os axiomas. Se não, já refutou sem trabalho algébrico.
Calculando $T(0,0)$ na primeira função temos $(0 + 2, 0) = (2, 0)$.
Como a origem NÃO foi mapeada na origem ($T(0) \neq 0$), a máquina viola estruturalmente os axiomas. NÃO é linear.
Aditividade: $T(u+v) = T(x_1+x_2, y_1+y_2) = (x_1+x_2+y_1+y_2, y_1+y_2)$.
Separando os vetores: $(x_1+y_1, y_1) + (x_2+y_2, y_2) = T(u) + T(v)$. Verdadeiro.
Homogeneidade: $T(\lambda u) = (\lambda x + \lambda y, \lambda y) = \lambda(x+y, y) = \lambda T(u)$. Verdadeiro.
Como gabaritou as duas regras, o Cisalhamento É uma transformação linear.
Determine a transformação linear $T : \mathbb{R}^3 \rightarrow \mathbb{R}^3$ que satisfaz: $T(1,0,0) = (1,1,0)$, $T(0,0,1) = (0,0,2)$, $T(0,1,0) = (1,1,2)$.
Roteiro: (1) observar que os vetores dados são $e_1, e_2, e_3$ embaralhados; (2) decompor $(x,y,z) = xe_1 + ye_2 + ze_3$; (3) aplicar linearidade direto.
Seja $\{(1,2), (3,4)\}$ base de $\mathbb{R}^2$. Existe uma única transformação linear tal que $T(1,2) = (3,2,1)$ e $T(3,4) = (6,5,4)$. Qual é a imagem de $(1,0)$ por essa transformação?
Roteiro: (1) escrever $(1,0) = a(1,2) + b(3,4)$ e resolver para $a,b$; (2) aplicar $T(1,0) = aT(1,2) + bT(3,4)$.
$(1,0) = a(1,2) + b(3,4)$
Eq 1: $a + 3b = 1$
Eq 2: $2a + 4b = 0 \implies a = -2b$
Substituindo na Eq 1: $-2b + 3b = 1 \implies b = 1$. E como $a = -2b$, temos $a = -2$.
Combinação linear: $(1,0) = -2(1,2) + 1(3,4)$.
$T(1,0) = -2 \cdot T(1,2) + 1 \cdot T(3,4)$
$T(1,0) = -2(3,2,1) + (6,5,4)$
$T(1,0) = (-6,-4,-2) + (6,5,4) = \mathbf{(0,1,2)}$
Existe um operador linear $T : \mathbb{R}^3 \rightarrow \mathbb{R}^3$ tal que $T(1,1,1) = (1,2,3)$, $T(1,2,3) = (1,4,9)$ e $T(2,3,4) = (1,8,27)$? Justifique.
Roteiro: (1) testar se os vetores de entrada são LI (LD?); (2) se LD, achar a relação linear; (3) verificar se as imagens respeitam a mesma relação; (4) se não respeitam, refutar.
Observando: $(1,1,1) + (1,2,3) = (2,3,4)$. O terceiro vetor é exatamente a soma dos dois primeiros — portanto são L.D.
Como $(2,3,4) = (1,1,1)+(1,2,3)$, a linearidade impõe obrigatoriamente:
$T(2,3,4) = T(1,1,1) + T(1,2,3) = (1,2,3)+(1,4,9) = (2,6,12)$
O enunciado exige $T(2,3,4) = (1,8,27)$. Como $(2,6,12) \neq (1,8,27)$, há uma contradição irreconciliável com o axioma da aditividade.
Conclusão: Não existe tal operador linear.
Existe uma transformação linear $T : \mathbb{R}^3 \rightarrow \mathbb{R}^2$ tal que $T(1,1,1) = (1,0)$ e $T(-1,0,1) = (0,1)$? Justifique sua resposta.
Roteiro: (1) verificar LI dos vetores dados; (2) comparar a quantidade com $\dim(U)$; (3) se faltam vetores, completar a base (pode escolher livremente) e mostrar que existem múltiplas extensões $\Rightarrow$ infinitas TLs.
Sim, existem transformações lineares satisfazendo as condições. Na verdade, existem infinitas delas (tantas quantas forem as escolhas para a imagem do vetor completador).
Verifique se a transformação linear $T : \mathbb{R}^2 \rightarrow \mathbb{R}^2$, dada por $T(x,y) = (2x - y, x + y)$, é injetora. T é sobrejetora?
Roteiro: (1) Injeção: resolver $T(u)=0$ — se única solução é $u=0$, injetora. (2) Sobrejeção: usar o teorema (atalho) ou resolver $T(u)=(a,b)$ genérico. Em $T:\mathbb{R}^n\to\mathbb{R}^n$, injetora $\Leftrightarrow$ sobrejetora automaticamente.
Eq1: $2x - y = 0$
Eq2: $x + y = 0 \implies y = -x$
Substituindo na Eq1: $2x - (-x) = 0 \implies 3x = 0 \implies x = 0$ e $y = 0$.
Como $\text{Nuc}(T) = \{(0,0)\}$, Sim, é injetora.
Método 1 (Atalho Dimensional):
$\dim(\text{Domínio}) = \dim(\text{Núcleo}) + \dim(\text{Imagem})$
$2 = 0 + \dim(\text{Imagem}) \implies \dim(\text{Imagem}) = 2$.
Como a dimensão da Imagem (2) é igual à dimensão do Contradomínio ($\mathbb{R}^2$), Sim, é sobrejetora.
Método 2 (Vetor Genérico):
Eq1: $2x - y = a$
Eq2: $x + y = b$
Somando as equações: $3x = a + b \implies x = \frac{a+b}{3}$. Substituindo $x$: $y = \frac{2b-a}{3}$.
O sistema sempre tem solução para qualquer $(a,b)$. Sim, é sobrejetora.
Determine o núcleo e imagem da transformação $T : \mathbb{R}^2 \rightarrow \mathbb{R}^3$, dada por $T(x,y) = (x - y, x, x + y)$ e responda se T é bijetora.
Roteiro: (1) Núcleo: sistema $T(u)=0$ — se só zero, injetora; (2) Imagem: $T(e_1),T(e_2)$ formam gerador; calcular posto; (3) Sobrejetora $\Leftrightarrow$ posto $=$ dim do contradomínio. Em $\mathbb{R}^2\to\mathbb{R}^3$, posto máximo $=2<3$, então nunca sobrejetora.
$x - y = 0$, $x = 0$, $x + y = 0$.
Logo, $x = 0$ e $y = 0$. $\text{Nuc}(T) = \{(0,0)\}$. É injetora.
$T(1,0) = (1, 1, 1)$ e $T(0,1) = (-1, 0, 1)$
$\text{Imagem} = \text{ger}\{(1,1,1), (-1,0,1)\}$. Posto = 2.
Sejam $U$ e $V$ espaços vetoriais. Prove que $T$ é injetora se, e somente se, $T$ leva conjunto de vetores L.I. de $U$ em um conjunto L.I. em $V$.
Roteiro Ida ($\Rightarrow$): partir de combinação $\sum c_i T(u_i)=0$, puxar $T$ para fora pela linearidade, aplicar injeção, usar LI dos $u_i$. Volta ($\Leftarrow$): por absurdo, $u\neq 0$ no núcleo dá $\{u\}$ LI mas $\{T(u)\}=\{0\}$ LD — contradição.
Com $\{u_1, \dots, u_k\}$ L.I., teste a imagem fazendo: $c_1T(u_1) + \dots + c_kT(u_k) = 0$.
Pela linearidade: $T(c_1u_1 + \dots + c_ku_k) = 0$.
Pela injeção, o que está dentro do T é zero obrigatoriamente: $c_1u_1 + \dots + c_ku_k = 0$.
Como os $u$'s originais são L.I., a única solução é $c = 0$. Logo, as imagens também são L.I.
Suponha por absurdo $u \neq 0$ no núcleo ($T(u) = 0$). O conjunto unitário $\{u\}$ é L.I.
Pela hipótese, $\{T(u)\}$ deveria ser L.I. também.
Mas $T(u) = 0$, e qualquer conjunto contendo $\{0\}$ é L.D. Contradição gerada! Logo, a hipótese de $u \neq 0$ cai, logo $u = 0$ obrigatoriamente. T é injetora.
Determine o núcleo, a imagem, o posto e a nulidade de $T : \mathbb{R}^3 \rightarrow \mathbb{M}_2(\mathbb{R})$, dada por:
Roteiro: (1) Nuc: impor $T(u)=0$ (matriz nula) — cada entrada da matriz vira equação; (2) Im: aplicar $T$ na base canônica do domínio, extrair matrizes geradoras; (3) testar LI das matrizes geradoras para achar o posto; (4) conferir com o teorema.
$a + b = 0 \implies a = -b$ e $c - b = 0 \implies c = b$
$\text{Nuc}(T) = \text{ger}\{(-1, 1, 1)\}$. Nulidade = 1.
Seja $T$ um operador linear no $\mathbb{R}^3$ tal que $T(1,0,0) = (1,1,1)$, $T(0,1,0) = (1,-2,1)$, $T(0,0,1) = (1,0,-1)$. Mostre que $T$ é bijetor.
Roteiro: (1) montar matriz com $T(e_1), T(e_2), T(e_3)$ como colunas; (2) calcular $\det$; (3) $\det \neq 0$ $\Rightarrow$ colunas LI $\Rightarrow$ posto $=3$ $\Rightarrow$ Nuc trivial pelo Teorema Núcleo-Imagem $\Rightarrow$ bijetora.
$M = \begin{pmatrix} 1 & 1 & 1 \\ 1 & -2 & 0 \\ 1 & 1 & -1 \end{pmatrix}$
Expansão pela primeira linha:
$\det = 1\cdot[(-2)(-1)-(0)(1)] - 1\cdot[(1)(-1)-(0)(1)] + 1\cdot[(1)(1)-(-2)(1)]$
$= 1\cdot(2) - 1\cdot(-1) + 1\cdot(3) = 2+1+3 = 6$.
— As 3 colunas são L.I., logo a Imagem tem dimensão 3. A transformação varre todo $\mathbb{R}^3$. Sobrejetora.
— Pelo Teorema do Posto-Nulidade: $\dim(\text{Nuc}) = 3 - 3 = 0$. Injetora.
Veredito: É Bijetora.
Determine $T : \mathbb{R}^4 \rightarrow \mathbb{R}^4$ tal que:
$\text{ker } T = [(1,0,1,1), (0,-1,-1,-1)]$ e
$\text{Im } T = \{(x,y,z,w) \in \mathbb{R}^4 \mid x+y=0 \text{ e } w+z=0\}$.
Roteiro: (1) extrair base/geradores de Im; (2) começar uma base de $U$ com vetores do Nuc (mapeados em $0$); (3) completar a base de $U$ com vetores LI, mapeando-os nos geradores de Im; (4) decompor um $(x,y,z,w)$ genérico nessa base; (5) aplicar linearidade — vetores do Nuc somem.
Os do núcleo vão para o zero: $T(1,0,1,1) = (0,0,0,0)$ e $T(0,-1,-1,-1) = (0,0,0,0)$.
Para completar a base de $\mathbb{R}^4$, escolhemos $e_2=(0,1,0,0)$ e $e_3=(0,0,1,0)$ da base canônica — são L.I. aos vetores do núcleo e entre si. Cada um é mapeado a um gerador da imagem:
$T(0,1,0,0) = (1,-1,0,0)$ e $T(0,0,1,0) = (0,0,1,-1)$.
$(x,y,z,w) = a(1,0,1,1) + b(0,-1,-1,-1) + c(0,1,0,0) + d(0,0,1,0)$
Sistema por coordenada:
Pos 1: $a = x$ | Pos 4: $a - b = w \Rightarrow b = x - w$
Pos 2: $-b+c = y \Rightarrow c = y+b = x+y-w$
Pos 3: $a-b+d = z \Rightarrow d = z-x+(x-w) = z-w$
Aplicando a linearidade (os vetores do núcleo contribuem zero):
Determine $T : \mathbb{R}^3 \rightarrow \mathbb{R}^4$ tal que:
$\text{ker } T = [(1,1,1)]$ e $\text{Im } T = [(1,1,2,0), (1,2,0,0)]$.
Roteiro: (1) base do Nuc é $\{(1,1,1)\}$ — vai pra zero; (2) completar até base de $\mathbb{R}^3$ com 2 vetores LI a $(1,1,1)$; (3) mapear esses 2 vetores nos geradores de Im; (4) decompor $(x,y,z)$ na base e aplicar.
Núcleo vai para o zero: $T(1,1,1) = (0,0,0,0)$.
Completando a base de $\mathbb{R}^3$: $e_1=(1,0,0)$ e $e_2=(0,1,0)$ são L.I. a $(1,1,1)$ (determinante da matriz $= -1 \neq 0$). Cada um aponta para um gerador da imagem:
$T(1,0,0) = (1,1,2,0)$ e $T(0,1,0) = (1,2,0,0)$.
$a=z$, $b=x-z$, $c=y-z$.
Aplicando a linearidade:
22. Prova Simulada — Baseada em Pulino (cap04 + cap05)
4 exercícios. Conteúdo: Aulas 10–16. Tempo sugerido: 2h. Pesos iguais (2,5 pontos cada).
- Q1 — Axiomas de produto interno + matriz do produto interno (Aula 10)
- Q2 — Subespaço ortogonal + Gram-Schmidt (Aulas 11, 12, 13)
- Q3 — Teorema da Determinação + núcleo, imagem, bijetividade (Aulas 15, 16)
- Q4 — Melhor aproximação via projeção ortogonal em $\mathcal{P}_2(\mathbb{R})$ (Aulas 12, 14)
Considere a aplicação $\langle \cdot, \cdot \rangle : \mathbb{R}^2 \times \mathbb{R}^2 \to \mathbb{R}$ dada por
$$\langle u, v \rangle = x_1 y_1 - x_1 y_2 - y_1 x_2 + 4 x_2 y_2,$$
onde $u = (x_1, x_2)$ e $v = (y_1, y_2)$.
(a) Mostre que $\langle \cdot, \cdot \rangle$ define um produto interno em $\mathbb{R}^2$.
(b) Determine a matriz $A$ do produto interno em relação à base canônica $\beta = \{e_1, e_2\}$ de $\mathbb{R}^2$.
(c) Calcule $\|u\|$ e $\langle u, v \rangle$ usando $u^t A v$, com $u = (1, 2)$ e $v = (3, -1)$.
Atalho positividade: completar quadrados em $\langle u,u\rangle$ — deve ficar soma de quadrados estritamente positiva para $u\neq 0$.
Mostrar resolução
Simetria. $\langle v, u\rangle = y_1 x_1 - y_1 x_2 - x_1 y_2 + 4 y_2 x_2 = x_1 y_1 - x_1 y_2 - x_2 y_1 + 4 x_2 y_2 = \langle u, v\rangle$. ✓
Linearidade na 1ª variável. Para $u_1=(a_1,a_2)$, $u_2=(b_1,b_2)$, $\alpha\in\mathbb{R}$ e $v=(y_1,y_2)$:
$\langle \alpha u_1 + u_2, v\rangle = (\alpha a_1+b_1)y_1 - (\alpha a_1+b_1)y_2 - y_1(\alpha a_2+b_2) + 4(\alpha a_2+b_2)y_2$
$= \alpha(a_1 y_1 - a_1 y_2 - a_2 y_1 + 4 a_2 y_2) + (b_1 y_1 - b_1 y_2 - b_2 y_1 + 4 b_2 y_2)$
$= \alpha \langle u_1, v\rangle + \langle u_2, v\rangle$. ✓
Positividade. $\langle u, u\rangle = x_1^2 - 2 x_1 x_2 + 4 x_2^2 = (x_1 - x_2)^2 + 3 x_2^2 \ge 0$. Zero $\iff x_1 - x_2 = 0$ e $x_2 = 0$ $\iff u = (0,0)$. ✓
Portanto, $\langle \cdot,\cdot\rangle$ define produto interno em $\mathbb{R}^2$.
$a_{11} = \langle e_1, e_1\rangle = 1\cdot 1 - 1\cdot 0 - 1\cdot 0 + 4\cdot 0\cdot 0 = 1$
$a_{12} = \langle e_2, e_1\rangle = 0\cdot 1 - 0\cdot 0 - 1\cdot 1 + 4\cdot 1\cdot 0 = -1$
$a_{21} = \langle e_1, e_2\rangle = 1\cdot 0 - 1\cdot 1 - 0\cdot 0 + 4\cdot 0\cdot 1 = -1$
$a_{22} = \langle e_2, e_2\rangle = 0\cdot 0 - 0\cdot 1 - 1\cdot 0 + 4\cdot 1\cdot 1 = 4$
$A = \begin{pmatrix} 1 & -1 \\ -1 & 4 \end{pmatrix}$
$A v = \begin{pmatrix} 1 & -1 \\ -1 & 4 \end{pmatrix}\begin{pmatrix} 3 \\ -1 \end{pmatrix} = \begin{pmatrix} 4 \\ -7 \end{pmatrix}$
$\langle u, v\rangle = u^t A v = (1)(4) + (2)(-7) = \mathbf{-10}$
$\|u\|^2 = \langle u, u\rangle = (1-2)^2 + 3\cdot 2^2 = 1 + 12 = 13 \Rightarrow \|u\| = \sqrt{13}$
Considere $\mathbb{R}^3$ com o produto interno usual e o subespaço
$$S = \{(x, y, z) \in \mathbb{R}^3 : 2x - y + z = 0\}.$$
(a) Determine uma base de $S$ e calcule $\dim(S)$.
(b) Determine uma base do complemento ortogonal $S^\perp$.
(c) Aplique o processo de Gram-Schmidt na base obtida em (a) para construir uma base ortonormal de $S$.
Confere: pelo Teorema da Decomposição (Aula 13), $\dim(S) + \dim(S^\perp) = 3$.
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Vetor genérico: $(x,\ 2x+z,\ z) = x(1, 2, 0) + z(0, 1, 1)$.
Geradores $v_1 = (1, 2, 0)$ e $v_2 = (0, 1, 1)$ são LI (não múltiplos).
Base de $S$: $\{(1, 2, 0),\ (0, 1, 1)\}$. $\dim(S) = 2$.
Candidato: $n = (2, -1, 1)$. Verificação:
$\langle v_1, n\rangle = 2 - 2 + 0 = 0$ ✓
$\langle v_2, n\rangle = 0 - 1 + 1 = 0$ ✓
Base de $S^\perp$: $\{(2, -1, 1)\}$. $\dim(S^\perp) = 1$.
Confere com Teorema da Decomposição: $\dim(S) + \dim(S^\perp) = 2 + 1 = 3 = \dim(\mathbb{R}^3)$. ✓
$w_1 = v_1 = (1, 2, 0)$. $\|w_1\|^2 = 1 + 4 + 0 = 5$.
$\langle v_2, w_1\rangle = (0)(1) + (1)(2) + (1)(0) = 2$.
$w_2 = v_2 - \dfrac{2}{5} w_1 = (0, 1, 1) - \left(\tfrac{2}{5}, \tfrac{4}{5}, 0\right) = \left(-\tfrac{2}{5}, \tfrac{1}{5}, 1\right)$.
Multiplicando por 5 (preserva direção): $w_2' = (-2, 1, 5)$. $\|w_2'\|^2 = 4 + 1 + 25 = 30$.
Normalização:
$q_1 = \dfrac{w_1}{\sqrt{5}} = \mathbf{\dfrac{1}{\sqrt{5}}(1, 2, 0)}$
$q_2 = \dfrac{w_2'}{\sqrt{30}} = \mathbf{\dfrac{1}{\sqrt{30}}(-2, 1, 5)}$
Base ortonormal de $S$: $\{q_1, q_2\}$.
Determine a transformação linear $T : \mathbb{R}^3 \to \mathcal{P}_2(\mathbb{R})$ que satisfaz
$$T(1, 0, 0) = 1 - x, \quad T(0, 1, 0) = 1 + x, \quad T(0, 0, 1) = 1 - x^2.$$
(a) Encontre a expressão geral de $T(a, b, c)$.
(b) Determine $\text{Nuc}(T)$ e $\text{Im}(T)$, exibindo uma base para cada subespaço.
(c) $T$ é injetora? Sobrejetora? Bijetora? Justifique usando o Teorema do Núcleo-Imagem.
Como $\dim\mathbb{R}^3 = \dim\mathcal{P}_2 = 3$: injetora $\Leftrightarrow$ sobrejetora $\Leftrightarrow$ bijetora.
Mostrar resolução
$T(a, b, c) = a T(1,0,0) + b T(0,1,0) + c T(0,0,1)$
$= a(1 - x) + b(1 + x) + c(1 - x^2)$
$= (a + b + c) + (-a + b)x + (-c)x^2$
$\boxed{T(a, b, c) = (a + b + c) + (b - a)x - c x^2}$
$\begin{cases} a + b + c = 0 \\ b - a = 0 \\ -c = 0 \end{cases} \Rightarrow c = 0,\ b = a,\ 2a = 0 \Rightarrow a = b = c = 0$.
$\text{Nuc}(T) = \{(0,0,0)\}$. $\dim\text{Nuc}(T) = 0$. Base: vazia (subespaço trivial).
Imagem: pelo lema da Aula 16, $\text{Im}(T)$ é gerado por $\{T(e_1), T(e_2), T(e_3)\} = \{1-x,\ 1+x,\ 1-x^2\}$.
Esses 3 polinômios são LI: a combinação $\alpha(1-x)+\beta(1+x)+\gamma(1-x^2)=0$ leva ao mesmo sistema do núcleo, com solução só trivial.
Como são 3 vetores LI em $\mathcal{P}_2(\mathbb{R})$ (dim 3), formam base.
$\text{Im}(T) = \mathcal{P}_2(\mathbb{R})$. Base: $\{1-x,\ 1+x,\ 1-x^2\}$.
Teorema Núcleo-Imagem: $\dim\mathbb{R}^3 = \dim\text{Nuc}(T) + \dim\text{Im}(T) = 0 + 3 = 3$ ✓
— $\text{Nuc}(T) = \{0\}$ $\Rightarrow$ injetora.
— $\text{Im}(T) = \mathcal{P}_2$ $\Rightarrow$ sobrejetora.
— Injetora + sobrejetora $\Rightarrow$ bijetora (isomorfismo entre $\mathbb{R}^3$ e $\mathcal{P}_2$).
Considere $\mathcal{P}_2(\mathbb{R})$ com o produto interno
$$\langle p, q \rangle = \int_0^1 p(x) q(x)\, dx.$$
Seja $W = [1, x] \subset \mathcal{P}_2(\mathbb{R})$ e $q(x) = x^2$.
(a) A base $\{1, x\}$ é ortogonal nesse produto interno? Justifique.
(b) Aplique Gram-Schmidt em $\{1, x\}$ para obter uma base ortogonal de $W$.
(c) Determine o polinômio $\tilde{q}(x) \in W$ que melhor aproxima $q(x) = x^2$ em $W$ (em relação à norma induzida pelo produto interno).
(d) Interprete geometricamente $\tilde{q}(x)$ e calcule a distância $\|q - \tilde{q}\|$.
Integrais úteis: $\int_0^1 x^n dx = \tfrac{1}{n+1}$.
Mostrar resolução
$\langle 1, x\rangle = \int_0^1 1 \cdot x\, dx = \dfrac{x^2}{2}\Big|_0^1 = \dfrac{1}{2} \neq 0$.
Não é ortogonal. Precisamos aplicar Gram-Schmidt.
$w_1 = 1$. $\|w_1\|^2 = \int_0^1 1\, dx = 1$.
$\langle x, w_1\rangle = \int_0^1 x\, dx = \dfrac{1}{2}$.
$w_2 = x - \dfrac{1/2}{1}\cdot 1 = x - \dfrac{1}{2}$.
$\|w_2\|^2 = \int_0^1 \left(x - \tfrac{1}{2}\right)^2 dx = \int_0^1 \left(x^2 - x + \tfrac{1}{4}\right) dx = \dfrac{1}{3} - \dfrac{1}{2} + \dfrac{1}{4} = \dfrac{4-6+3}{12} = \dfrac{1}{12}$.
Base ortogonal de $W$: $\left\{1,\ x - \tfrac{1}{2}\right\}$.
$\langle q, w_1\rangle = \int_0^1 x^2\, dx = \dfrac{1}{3}$.
$\langle q, w_2\rangle = \int_0^1 x^2\left(x - \tfrac{1}{2}\right) dx = \int_0^1 \left(x^3 - \tfrac{x^2}{2}\right) dx = \dfrac{1}{4} - \dfrac{1}{6} = \dfrac{3-2}{12} = \dfrac{1}{12}$.
$\tilde{q}(x) = \dfrac{1/3}{1}\cdot 1 + \dfrac{1/12}{1/12}\cdot \left(x - \tfrac{1}{2}\right) = \dfrac{1}{3} + x - \dfrac{1}{2} = x - \dfrac{1}{6}$.
$\boxed{\tilde{q}(x) = x - \dfrac{1}{6}}$
$\tilde{q}(x) = x - \tfrac{1}{6}$ é a projeção ortogonal de $q(x) = x^2$ sobre $W = [1, x]$ — o polinômio de grau $\le 1$ mais próximo de $x^2$ na norma $\|f\| = \sqrt{\int_0^1 f^2}$ (Teorema da Melhor Aproximação, Aula 14).
Distância via Pitágoras (atalho: $q - \tilde{q} \in W^\perp$):
$\|q\|^2 = \int_0^1 x^4 dx = \dfrac{1}{5}$
$\|\tilde{q}\|^2 = \int_0^1 \left(x - \tfrac{1}{6}\right)^2 dx = \dfrac{1}{3} - \dfrac{1}{6} + \dfrac{1}{36} = \dfrac{12 - 6 + 1}{36} = \dfrac{7}{36}$
$\|q - \tilde{q}\|^2 = \|q\|^2 - \|\tilde{q}\|^2 = \dfrac{1}{5} - \dfrac{7}{36} = \dfrac{36 - 35}{180} = \dfrac{1}{180}$
$\boxed{\|q - \tilde{q}\| = \dfrac{1}{\sqrt{180}} = \dfrac{\sqrt{5}}{30}}$
- Q1: cap05, Exercício 5.11 (página 295)
- Q2: cap05, Exercícios 5.39 (página 323) e 5.49 (página 336)
- Q3: cap04, Exercício 4.7 (página 225) + estrutura do Exercício 4.16 (página 242)
- Q4: cap05, Exercício 5.69 (página 360) + Teorema 5.17.1 (página 365)
Se quiser que eu adicione a resolução completa de cada questão (no padrão Estratégia + Resolução dos cadernos), peça.